Aniversário de Jaguariúna
55 anos
Parabéns Jaguariúna!
A editora Gazeta preparou esta edição especial para comemorar os 55 anos de emancipação política e administrativa de Jaguariúna. Para isso, a editora se dedicou em reunir – durante dois meses de pesquisa – fotografias históricas da cidade. A idéia da equipe da editora Gazeta foi mostrar por meio de imagens o desenvolvimento que Jaguariúna sofreu durante todos esses anos.
Editorialmente, a decisão da escolha das fotografias se deu em razão da importância dos pontos históricos que transformaram a cidade no que ela é hoje.
Dessa maneira, alguns lugares não poderiam faltar nessa edição, como por exemplo, a Igreja Matriz, onde ao seu redor o povoado da Vila Jaguari “nasceu”, o Centro Cultural, os Pontilhões. Além da importância histórica, optamos também por escolher imagens curiosas e peculiares da cidade como as do Jatobazeiro e da Antiga Rodoviária. No entanto, várias outras imagens irão surpreender e encantar o leitor e são esses sentimentos que gostaríamos que essa edição especial “respirasse”: surpresa e encanto.
Não poderíamos deixar de registrar nesse espaço que essa edição especial só conseguiu ser concretizada por causa do povo de Jaguariúna. Afinal, a história de uma cidade só é feita pelo seu povo! Essa revista especial é um presente para cada um de vocês que ajudaram – dia a dia – na construção da cidade. Parabéns população de Jaguariúna! Para todos os leitores, uma boa leitura! Se surpreendam e se encantem com as imagens.

Jaguariúna entrou numa era de desenvolvimento a partir de 1983, ano marcado pela derrubada dos pontilhões que eram considerados empecilhos para o crescimento da cidade, tendo em vista, que aumentava o tráfego na região. Na ocasião, era a única passagem de veículos para o Circuito das Águas, sendo comum ter caminhão entalado porque não conseguia passar pelos pontilhões. Em 26 de julho de 1983, através de um decreto, a área dos pontilhões e da estrada de ferro, de propriedade da Fepasa, são declaradas de utilidade pública. Em agosto do mesmo ano, a prefeitura, através de uma liminar, conseguia realizar a implosão do primeiro pontilhão e dias depois, o outro veio abaixo. Depois a prefeitura entrou em acordo com a Fepasa e comprou o terreno. Então, por onde passava a linha do trem surgiram às avenidas, e mais recentemente foi construída uma ponte para a chegada da Maria-Fumaça até o Centro Cultural.

Em 21 de abril de 1946 acontecia a inauguração da estação ferroviária, onde hoje funciona o Centro Cultural de Jaguariúna. O ferroviário aposentado e vigilante do Museu Ferroviário, Luiz Maion conta que era muito movimentada, sendo que os jovens e as famílias vinham na estação no horário de chegada do trem para passear. “Era agradável vir na estação, pois, era possível encontrar muitos amigos e colegas, era um passeio gostoso. Perto do horário de chegada do trem a estação ficava lotada”. Ele conta que o Botequim sempre existiu no mesmo lugar, só que era aberto. A estação ainda contava com sala de espera e banheiros. No local onde hoje é uma choperia tinha a banca de frutas e o espaço de artesanato de madeira, o tradicional torneado. “No lugar do Museu Ferroviário era o antigo setor de bagagem aonde o pessoal vinha com carroça e trazia as mercadorias para serem pesadas e transportadas para o trem”. E no local também ficavam as mercadorias encomendadas pelas famílias e comerciantes, que chegavam de trem a Jaguariúna. A estação ficou em atividade até 1978. O local chegou até ser utilizado como creche. Depois passou por restauração e se transformou no Centro Cultural. Atualmente recebe o trem turístico da Maria-Fumaça. “E voltou a ser agitado recebendo milhares de turistas aos finais de semana”, completou Luis.

O Jatobazeiro, a beira do rio Jaguari e da ferrovia, foi um lugar pitoresco, no passado. Além das pessoas visitarem o local para pegar a fruta jatobá, nas décadas de 40/50 e começo dos anos 60, era comum os jovens nadar nas águas limpas do rio, e então, passou a ser ponto de encontro. Nesse período, as pessoas também participavam de pescarias e aconteciam às procissões do Divino, de barco. Era comum também tirar foto no Jabotobazeiro. E o poeta de Jaguariúna, José Sebastião Bergamasco, conhecido como Bega se inspirou nessa árvore para escrever uma poesia.
O Jatobazeiro
Foi mesmo à sombra de um jatobazeiro, na beirada do Rio Jaguari, que, num festivo dia de janeiro, todo o mel de teus lábios eu sorvi
Nosso ninho de amor ficava ali, longe do olhar do povo alcoviteiro... Ouvíamos cantar a juruti nas ramadas do nosso companheiro
Era um recanto natural de sonho, por onde o rio, múrmuro e tristonho, desce, por entre pedras, sem clamor.
Ninguém por perto a perturbar o abrigo! Apenas o jatobazeiro amigo testemunhando o nosso grande amor....

A inauguração da Igreja de Santa Maria foi o ponto primordial para a formação da Vila Bueno. Na época, era apenas um lugarejo com fazendas, sítios e a estrada de ferro. Foi então, que o fundador da cidade, Coronel Amâncio Bueno, teve a idéia e ousadia de realizar no local algumas mudanças que foram fundamentais para a sua transformação. O primeiro passo foi à construção de uma igreja no estilo gótico-bizantino, em terras da fazenda Florianópolis de sua propriedade. O coronel idealizou e começou colocar em prática seu plano antes mesmo de ter em mãos o projeto urbanístico do engenheiro alemão Guilherme Gieserecht. O início da construção da igreja de Santa Maria ocorreu em 1889, cinco anos antes da realização da planta da vila, datada de 1894. Nesse mesmo ano era inaugurada a igreja. Ela foi elevada à condição de Matriz em 19 de fevereiro de 1902, momento em que foi criada a Paróquia de Santa Maria.

A tradição de homenagear Santo Antonio com desfile a cavalo pelas ruas já vem de um passado distante quando Jaguariúna ainda era distrito de Mogi Mirim. Tudo começou na Fazenda Camanducaia que costumava realizar grandes festas. No ano de 1949, os padres Astério Paschoal e Joaquim Antonio Gomes, com a ajuda do administrador da fazenda, Francisco Parizi, organizaram a primeira Cavalaria de Santo Antonio. Naquela época, o desfile saía da capela da fazenda até chegar ao centro de Jaguariúna. Ela foi organizada por três anos consecutivos, e depois sofreu uma paralisação. Com o passar do tempo, a tradição foi sendo retomada tendo na organização Anísio de Aguiar, com apoio do padre Gomes. Neste ano, a Cavalaria Antonia chegou a 36ª edição, se consolidando como o maior evento popular da cidade, sendo conhecida e prestigiada por milhares de carreiros, cavaleiros e amazonas do estado de São Paulo e sul de Minas Gerais.

Um prédio repleto de histórias ainda se mantém preservado, no centro de Jaguariúna. O prédio que hoje abriga a pousada e restaurante Vila Bueno, foi construído na última década do século XIX, sendo residência do coronel e fundador da cidade, Amâncio Bueno, com sua segunda esposa, Hermelinda Romanini e seus dez filhos. O local também serviu de escritório político do coronel. Na primeira década do século XX, o prédio foi adaptado para receber o internato masculino Colégio Rosa, de credo religioso. Posteriormente, Maria Munaretti Picelli transformou o prédio em pensão, e deixou o empreendimento para a filha Marica Picelli Carneiro. O local era conhecido entre os moradores como pensão da Mariquinha. Na década de 90, a memorialista Maria Abigail Nogueira Moraes Ziggiati adquire a pensão e o local passou por restauração para se transformar na Vila Bueno.

O antigo Casarão, construído na última década do século XIX, provavelmente no mesmo período da construção da igreja de Santa Maria, foi sede da primeira eleição do distrito de Paz de Jaguary. O projeto foi de autoria do engenheiro Guilherme Giesbrecht. O capitão e tabelião, Ulisses Masotti adquiriu o prédio com o objetivo de ser sua residência e também de sediar a Casa Comercial de Bueno e Ferreira, ou seja, o 1º Cartório do distrito. Em 17 de setembro de 1897 foi inaugurado o estabelecimento e em março de 1898 foi realizada a primeira eleição no distrito e ocorreu para Presidente da República. Pelo livro de registro eleitoral, apenas 36 eleitores estavam inscritos para a votação e todos homens, pois naquela época votava apenas quem tinha diploma. Do total, 26 compareceram as urnas. Na fachada do prédio ainda é possível ver o brasão do capitão Ulisses, que deve ter sido feito por artesãos italianos. O prédio permaneceu abandonado por um período até que foi restaurado pela atual proprietária Lúcia Maria de Moraes Ribeiro, e atualmente abriga a Biblioteca Municipal Adone Bonetti.

Inaugurada em 1875, a estação de Jaguary, foi considerada uma das mais importantes na época, pela Companhia Mogiana. Essa informação consta do livro “O Herói Ferroviário”, de Manoel Rodrigues Seixas. De acordo com um trecho da publicação: ‘no século passado se revestiu de importância em termos de projeção sócio-econômico que lhe valeu o direito de ser considerada como uma das mais pujantes do contexto da própria companhia, tanto na canalização de recursos diretos para a sustentação da ferrovia como também na área de prestação de serviços a coletividade jaguariunense’. A circulação de trens de carga pela estação era tão intensa que composições ficavam retidas por várias horas, nos desvios, em decorrência da ausência de linhas auxiliares. Ela funcionava numa construção que ficava em frente a atual Secretaria Municipal de Defesa Social que na época foi sede da Casa do Chefe. A estação ainda contava com espaço para a venda de peças torneadas e barracas de frutas, e contava até com restaurante famoso. No ano de 1914 a estação passou por uma reforma na qual teve a sua capacidade ampliada com a finalidade de estocar melhor o café. A estação de Jaguary funcionou até o ano de 1946 quando em 21 de abril de 1946 acontecia à inauguração da nova estação de Jaguariúna, atual Centro Cultural.

A Jaguariúna, de antigamente, tinha no cinema um ponto de encontro e diversão para todas as idades. E também um lugar de namoro e paquera. O Cine Santa Maria foi construído no centro de Jaguariúna por iniciativa do padre Gomes, como opção de cultura e lazer, e contou com o apoio da comunidade. O espaço contava ainda com diversas salas para atividades variadas e chegou a ser palco de solenidades, formaturas e eventos. Na época, entre os filmes que foram sucessos de bilheteria estão o de Mazzaropi. Muitos casais que estão casados iniciaram o namoro no cinema. Depois de um período parado, no ano de 2002, a prefeitura adquiriu o prédio. E ano passado, depois de terminar a reforma e restauração se transformou no Teatro Municipal Dona Zenaide.

O coreto, sempre fez parte do cotidiano de uma cidade do interior. E em Jaguariúna, não foi diferente. O coreto da Praça Umbelina Bueno foi construído no ano de 1926. Era tradição, a banda de música fazer concertos aos finais de semana e também se apresentar quando aconteciam as tradicionais festas religiosas, fortalecendo o convívio social entre as famílias. As crianças também gostavam de subir no coreto para brincar de pega e às vezes as mulheres e famílias usavam o local, que era um ponto de destaque da época, para tirar fotos. Hoje, a Secretaria de Turismo e Cultura utiliza o espaço para que os músicos da cidade participem do projeto “Música na Praça”.

A história de Jaguariúna também está presente na preservação de prédios antigos e históricos. O Casarão com sobrado, na esquina das ruas Alfredo Engler e Coronel Amâncio Bueno foi construído pelo imigrante italiano Lucilo Poltronieri, no início do século XX. Na parte superior, o prédio abrigava residência. E no andar térreo, desde o início, sempre foi sede de estabelecimentos comerciais. Na época do cinema mudo e musicado ao vivo, um grande salão foi adaptado para instalação do primeiro Cine Theatro. Já na década de 1950, o salão foi alugado para uma marcenaria e no final do século XX, os herdeiros do primeiro proprietário venderam o prédio. Restaurado, o antigo Casarão foi adaptado para agência bancária.

O Casarão da Família Sayad mostra detalhes da arquitetura do passado. Na esquina das ruas Alfredo Engler e Coronel Amâncio Bueno, o casarão foi construído no início do século 20, pelo casal de libaneses Gabriel e Sophia Sayad. Como era comum na época, o andar superior era destinado para residência da família e no térreo funcionava o comércio.

A primeira prefeitura foi instalada num casarão que havia na esquina da Rua José Alves Guedes com a Cândido Bueno, onde hoje é um posto de gasolina e pertencia a Joaquim Pires que era tio de Joaquim Pires Sobrinho, primeiro prefeito de Jaguariúna. Depois a prefeitura foi transferida para a parte inferior do prédio da Sociedade Amigos de Jaguariúna. O então prefeito Adone Bonetti transferiu a sede da prefeitura para aquele espaço, que ficava na esquina da Rua Alfredo Engler com Coronel Amâncio Bueno, próximo da padaria Gothardo. No ano de 1960, o também prefeito Bonetti construiu uma sede própria para a prefeitura, que é o atual prédio no centro da cidade. Em 2009, o espaço está passando por reformas.

Antes do cultivo do café, a Fazenda da Barra (que ainda preserva o seu nome original de fundação) foi uma grande produtora de cana de açúcar, algodão e cereais. Por herança paterna, a Fazenda da Barra pertenceu a José Guedes de Souza – o barão de Pirapitingui e tetraneto de Barreto Leme – que assumiu a liderança da fazenda em meados do século XIX. Com o falecimento do proprietário, o segundo filho, o coronel José Alves Guedes, herda as terras e passa a residir na fazenda em 1897. Com o final do sistema escravista, a fazenda recebeu grande número de italianos para trabalhar na plantação de café. Com o tempo, parte de suas terras acabaram por ser loteadas e vendidas a esses imigrantes ou a filhos destes. Nos anos 30, a Fazenda da Barra foi vendida a Joaquim Machado de Souza. Até a década de 50, a produtividade da fazenda continuava intensa, com 30 famílias residentes. Durante a década de 20, além da produção agrícola, a movimentação na fazenda era intensa. Por um lado, festas religiosas, pescaria e atividades esportivas nos finais de semana para os colonos; por outro, visitas constantes de amigos do casal (José Alves Guedes e esposa, sua prima em 2º grau, Siomara Penteado Guedes) – muitos deles envolvidos com o movimento da Semana de Arte Moderna de 22. Nas últimas décadas, pequenos lotes têm sido desmembrados da área total da Fazenda da Barra e, em 2008, a sede e uma área de 16 alqueires foram adquiridas pela Prefeitura de Jaguariúna. Atualmente, a administração pública realiza projeto para restaurar a Fazenda da Barra. A área remanescente permanece como propriedade da família e, atualmente, produz cana de açúcar para usina no município de Santo Antonio de Posse.
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