Um morador do bairro Florianópolis, em Jaguariúna, foi surpreendido ao receber as compras do supermercado em sua casa e junto com o conteúdo uma cobra Coral viva, que caiu da caixa de compras no momento em que o funcionário responsável pelo transporte colocava as compras ao lado da pia da cozinha do cliente.Segundo a estudante V.C., moradora do local, que pediu para ter o seu nome preservado, o bicho foi morto no mesmo momento e jogado no lixo, depois recuperado e guardado em um vidro com álcool. Foi registrado um boletim de ocorrências na Delegacia sobre o caso.
“A cobra foi morta pelo meu marido com o auxílio do motorista do caminhão que fez a entrega, depois liguei para o 156 e pedi para que o caso fosse passado para a Vigilância Sanitária. Quem esteve aqui foi o Corpo de Bombeiros, mas eu não deixei levar a cobra porque já estava morta”, observou a cliente.
A estudante, que disse ter ficado indignada com a situação, observou que não consegue imaginar o que poderia ter ocorrido se a cobra tivesse invadido outro espaço da casa e causado algum dano para a saúde de sua filha de 10 anos, uma criança com deficiência. “Poderia ter acontecido com qualquer família”, ressalta.
Segundo V.C., a compra, no valor de R$ 690,00 foi feita no Supermercados Bon-Netto no final da tarde de terça-feira, 31, e deixada no local para entrega a domicílio, o que aconteceu na manhã seguinte, por volta das 9h20. Ela conta que este tipo de entrega sempre foi uma opção da família e isso nunca tinha acontecido. “Quero uma posição da Vigilância Sanitária sobre como isso pode ter acontecido”, observa.
Supermercado
O gerente do supermercado, João Pedro Polizel, disse que estão sendo tomadas as providências para identificar o que pode ter acontecido, pois trata-se de um fato inédito que os deixou “assustados”. Ele afirmou que o estabelecimento está pronto para assumir qualquer responsabilidade e que foi apresentada ao cliente a alternativa de troca dos itens da compra, mas que isso não foi aceito.
Segundo João Pedro, são várias as possibilidades que estão sendo verificadas e todas as providências sanitárias estão regularizadas no estabelecimento. “A dedetização vence no próximo mês e estamos atuando dentro do que determina a legislação, com vistoria da Vigilância”.
Entre outros detalhes, o gerente acrescentou que o local de armazenagem da compra para entrega em domicílio é apropriado para isso, fica ao lado da sala dos diretores e tem grande circulação de funcionários. “Pedi nova limpeza e vistoria em todas as caixas”.
Segundo ele, não é possível precisar o local exato onde a cobra possa ter adentrado na caixa e que o caminhão tem o seu baú fechado e é de uso restrito para a entrega de mercadorias. João Pedro cita que os terrenos do entorno tem concentração de mato e não descarta a possibilidade disto ter favorecido o aparecimento da cobra, que poderia ter entrado por algum vão de porta e se alojado em alguma caixa de papelão com fresta, até chegar ao local onde ficam as embalagens plásticas utilizados para transportar mercadorias. “Diante do fato estamos atrás para levantar o que pode ter ocorrido. A limpeza do local é mantida e reforçamos a vistoria nas embalagens”.
Família quer explicações que justifiquem o caso
Segundo a estudante V.C., foi informado ao 156 (Espaço Fale) sobre a situação da cobra já morta e são esperadas as providências para verificar o que pode ter ocasionado a presença da cobra no supermercado. O 156 realiza triagem das solicitações recebidas e as encaminha aos setores competentes da Prefeitura.
De acordo com informações do médico veterinário e sanitarista do Centro de Controle de Zoonoses, José Eduardo Chaib de Moraes, e da coordenadora da Vigilância Sanitária (Visa) da Prefeitura de Jaguariúna, dra. Rose Sueli Martins, é natural que ocorrências envolvendo a captura de uma cobra sejam atendida pelos Bombeiros Municipais, que possuem preparo e equipamentos para captura de animais silvestres.
“A Vigilância Sanitária, em sua rotina, cuida dos casos que dizem respeito à saúde pública, em especial quanto ao consumo de alimentos, envolvendo armazenamento, manejo, conservação, entre outros”, esclarecem.
Porém, para a estudante V.C., a informação não foi esclarecida sobre os procedimentos que serão adotados pela equipe e há desencontro de informações no atendimento.
A reportagem questionou sobre quais serão os procedimentos para a verificação do ponto de vendas em situações deste tipo, a Vigilância e o CCZ responderam que para realizar uma inspeção e verificar as condições de armazenamento das mercadorias e ver se a reclamação procede, adotando as medidas previstas em lei, a Vigilância Sanitária necessita de dados concretos, como nome e endereço do usuário do serviço, telefone de contato e a indicação de qual é o estabelecimento. “Para isso, basta que o interessado registre a reclamação pelo 156”.
Os responsáveis informaram ainda que “considerando a informação passada pela solicitante, onde se lê ‘cobra Coral em sua compra no momento de entrega pelo supermercado na residência’, descartamos que a cobra estava na sua residência e também não podemos afirmar que a cobra adentrou no ponto de venda, mas podemos afirmar que ela saiu do veículo que transportou as mercadorias. É oportuno concluir duas situações: a cobra pernoitou no veículo ou adentrou durante o itinerário da entrega das mercadorias.
Segundo informado pelo CCZ e pela Visa, recentemente, no Campus 2 da FAJ, foi solicitado a captura de uma cobra jibóia que se encontrava em um dos blocos. (V.W)




