Mais de 150 cidades do País registraram a adesão ao manifesto “Crueldade Nunca Mais”, ocorrido no domingo, 22, reunindo milhares de pessoas no pedido de proteção aos animais e severidade na punição de casos de maus tratos.Em São Paulo, mais de 10 mil pessoas compareceram na Avenida Paulista e outras milhares em diferentes cidades. Os números são baseados em levantamento da comissão de protetores de animais que organiza e lidera as iniciativas que visam a aprovação da Lei Lobo. Em Jaguariúna, a Organização não-Governamental (OnG) Xodó de Bicho liderou o movimento onde participaram cerca de 150 pessoas. Por volta das 10 horas os manifestantes de reuniram no Centro Cultural e seguiram em passeata nas vias do Parque Linear.
As faixas e cartazes trazidas pelos manifestantes fizeram uma exposição de fotos de casos que abalaram a opinião pública em situações de maus tratos, sendo um dos principais apelos utilizados pelos organizadores para chamar a atenção à falta de instrumentos e leis mais severas para punir os agressores.
Segundo a presidente da Xodó, Eliane Guerra, o número de participantes foi um sucesso. “Proporcionalmente aos resultados de cidades maiores do que a nossa, a mobilização foi excelente e o nosso desejo é de articular mais pessoas para a adesão a outros eventos como esse na cidade”.
Vários cães acompanharam a passeata com seus donos, entre esses o Burne, cuja história de crueldade tem reconhecimento internacional, junto com seus proprietários, a estudante de Medicina Veterinária Flávia Oliveira Perin Testa e o médico veterinário Danilo Testa, proprietários da Vet Clinic. “O Burne é apenas um representante dos animais que sofrem maus-tratos em Jaguariúna. A Ong ampliou o seu trabalho com a história dele e trabalha arduamente pelos animaizinhos de rua”, observa Flávia.
Na opinião da estudante, o movimento demonstra que os animais não estão sozinhos e que há pessoas que estão de olho nas atitudes dos seres humanos, que lutam para que a humanidade mude a forma de pensar e agir em relação aos animais. “A sociedade em geral precisa aceitar os animais como um ser que sente dor, frio, fome, medo, e precisa de cuidado e amor”.
Lei Lobo
Segundo membros da comissão Lei Lobo, atuantes na organização central do evento, a proteção animal no Brasil vive um impasse Legislativo de mais de 13 anos, desde a sanção da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), quando o ex-deputado José Thomaz Nonô deu entrada ao Projeto de Lei 4.548/98, visando alterar o artigo 32 da lei de crimes ambientais e retirando os animais ‘domésticos ou domesticados’ de qualquer proteção em casos de maus-tratos.
A Comissão divulga o fato como um retrocesso que deixou a sociedade com as mãos atadas, “pois observamos que o clamor popular busca justamente o oposto: aumentar as penas para maus-tratos, que hoje é de no máximo 16 meses de detenção, convertidos em brandas penas restritivas de direitos”.
A Lei Lobo se trata de um Projeto de Lei de iniciativa popular em fase de elaboração e tem como principal objetivo punir com maior rigor os culpados por crimes de maus-tratos, abandono e morte de animais. Para isso, a comissão tem realizado mobilizações para o pedido de assinaturas de uma petição pública para a aprovação das autoridades competentes, entre essas o movimento “Crueldade Nunca Mais”.
O fato que marca o fortalecimento da iniciativa é a morte de um cão chamado Lobo, arrastado após ser preso a um automóvel que foi dirigido pelo próprio dono, em novembro do ano passado.
Abandono é o principal fator a ser combatido
Para a presidente da Xodó de Bicho, Leliane Guerra, a crueldade ainda é um grande desafio a ser vencido, pois os fatores que motivam esses atos têm origens diversas e isso dificulta o trabalho da Ong. Em Jaguariúna, o abandono é responsável por 80% das ocorrências atendidas pela entidade, o que ela considera uma atitude covarde das pessoas.
“Infelizmente nem todas as pessoas conseguem enxergar que os animais também têm seus direitos, e que devemos respeitá-los. É preciso entender que o abandono de um animal pode condená-lo a morte, ou no mínimo a uma vida repleta de problemas, tais como fome, frio, risco de atropelamento, etc.”, alerta Eliane.
O contato com outras entidades protetoras de animais é fator relevante para a Xodó, pois segundo Eliane possibilita o reconhecimento do trabalho pelos demais protetores e o engajamento em causas importantes. Há cerca de três meses a Ong participou do evento mundial World Event to End Animal Cruelty (WEEAC) e na semana passada na organização da manifestação "Crueldade Nunca Mais". “Ficamos muito orgulhosos em poder representar os animais do mundo todo e lutar pelos seus direitos, já que eles não podem fazer isso sozinhos”, ressaltou.
Desafios
Os desafios para 2012 estão apenas começando para a Ong que quer ampliar o auxílio aos animais, e para isso os membros da entidade estão em busca de um local fixo para a construção do canil e do gatil definitivos, pois atualmente conta apenas com um espaço provisório para abrigar nossos animais.
Ainda segundo Eliane, o foco principal deve ser o trabalho de conscientização da população com o início efetivo dos trabalhos de conscientização nas escolas, junto a crianças e adolescentes. Um tema apontado de extrema importância é a castração. “As pessoas precisam entender que castrar seu animal de estimação é um ato de amor, essencial para que haja um controle populacional dos animais que vivem nas ruas”.
Segundo a presidente, muitos resgates seriam evitados se os animais tivessem sido castrados e se trata de um benefício para a saúde pública. “Nesse ponto Jaguariúna tem um diferencial enorme em relação a outras cidades, por oferecer gratuitamente aos munícipes a castração de seus animais”.
Além disso, as feiras de adoção continuam acontecendo todos os sábados e o bazar de venda de usados mensalmente. Ainda sem data definida, no mês de março deve ocorrer um bingo para a arrecadação de recursos e, com o mesmo objetivo, a Ong pretende manter a participação nas edições da Feira do Empreendedor. (V.W).




