Verão, calor e mar. Quer combinação melhor do que essa? Mesmo com o sol ainda tímido na época mais quente do ano, muita gente já está aproveitando para se divertir em praias por todo o País.Em cidades sem mar, no entanto, a diversão geralmente acontece nas lagoas, o que traz grandes perigos. Segundo estatísticas do Corpo de Bombeiros, os afogamentos nessas localidades são mais comuns do que em rios e piscinas, que, por sua vez, registram mais mortes de crianças. A maioria dos casos registrados em lagoas é de homens entre 15 e 30 anos e os afogamentos têm relação com o consumo de bebidas alcoólicas.
A boa notícia é que de acordo com os dados mais atualizados da Rede Interagencial de Informações para a Saúde, do Ministério da Saúde, o ano de 2010 registrou o menor número de mortes por afogamento da década na Região Metropolitana da Campinas (RMC). No total, foram 29. O dado comprovou mais uma vez a diminuição de mortes que vem sido mostrada, anualmente, desde 2003. Segundo as estatísticas divulgadas, em 2000, ocorreram 80 óbitos. Um ano depois, o número de vítimas saltou para 86. Já 2002 foi o período em que se pode notar o início, de forma lenta, da diminuição de mortes, com um caso a menos em relação ao ano anterior. A partir de então, os dados tiveram uma diminuição anual, que culminou em 2005, com a maior queda, quando a região registrou 64 mortes. Um ano depois, o índice voltou a apresentar baixa, somando 50 casos, e, em 2007 e 2008, foram 44 e 38 casos, respectivamente. Em 2009, de forma surpreendente, o número de afogamentos cresceu, somando 50 mortes.
Na opinião do coordenador de Defesa Civil da RMC, Sidnei Furtado, a redução de casos de afogamento ou submersões acidentais é parte de um crescente processo de conscientização com famílias que moram em áreas de risco e sofrem com o transbordamento dos rios devido às fortes chuvas que atingem a região nesse período. Do total de mortes em 2010, seis casos ocorreram em Campinas e outros quatro em Americana. Indaiatuba, Santa Bárbara d’Oeste e Valinhos computaram três ocorrências, cada uma. Já Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e Hortolândia, tiveram dois casos. Para completar, Cosmópolis, Jaguariúna, Nova Odessa e Sumaré, registraram um caso, cada. Segundo os dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde, a cada mês, 77 pessoas morrem, em média, vítimas de afogamentos em todo o Estado de São Paulo.
Bombeiros orientam como evitar afogamentos
A principal orientação da corporação para prevenir acidentes é evitar nadar em rios e lagos, já que a água escura e a correnteza escondem perigos que podem ser fatais. Se mesmo assim esse local for escolhido para a “diversão”, é importante designar uma pessoa especifica para tomar conta das crianças. Em locais de correnteza ninguém deve desobedecer à sinalização do Corpo de Bombeiros e o ideal é que o nível da água não ultrapasse a cintura do banhista para que ele não seja surpreendido por depressões no solo ou ondas e correntes inesperadas. Se for para o fundo usando uma boia, não a abandone, mesmo que perca o controle da situação. Em casos de perigo, o importante é manter a calma e não gritar, além de não nadar contra a correnteza para poupar o fôlego. Para chamar a atenção dos bombeiros, sinalize com os braços e enquanto espera procure boiar. No caso de perder o controle do corpo no rio, nade no mesmo sentido da correnteza e procure avançar lentamente pelas laterais até alcançar as margens.
Os Bombeiros também aconselham evitar mergulhos de cabeça em depósitos naturais de água, não confiando nem mesmo em locais que já tenha frequentado, já que o nível muda sempre, bem como o fundo, que está em constante transformação. O choque em algum tronco ou pedra pode causar desmaios e sérios danos à coluna vertebral, expondo à vítima ao agravante de afogamentos. É ideal ainda redobrar a atenção com mergulhos noturnos, em virtude de haver risco de acidentes com redes de pescadores (no caso de mares e rios) e pela visibilidade do ambiente ficar bastante limitada. Aproximadamente 90% dos indivíduos que se acidentam ao mergulhar são do sexo masculino, sendo que muitos se tornam tetraplégicos.
No caso das piscinas o ideal é não confiar apenas na falsa impressão de segurança com o uso de bóias e com a presença de outros banhistas conhecidos em torno. Apesar de a maioria das piscinas contar com a observação de salva-vidas, há um grande número de contingente a ser observado e a visão pode ser prejudicada pelo ângulo ou pela movimentação das pessoas. (T.M).
Heroísmo pode custar ainda mais vidas
Embora essa função seja de um profissional, qualquer pessoa pode ter que tomar uma atitude frente a uma emergência de afogamento. Porém, tão importante quanto saber evitar, é saber como prestar socorro. Ao identificar um caso de afogamento, os Bombeiros pedem que seja evitado o “heroísmo”, chamando socorro especializado para o salvamento. Se não houver tempo, procure por alguém próximo que tenha experiência com a água, por exemplo, um surfista. A prioridade do resgate não é retirar a pessoa da água e sim fornecer a ela um material de apoio. Assim, o mais adequado é jogar à vítima objetos que flutuem ou que sirvam como corda. Em casos extremos, até mesmo uma garrafa pet pode ajudar a evitar um afogamento. Caso consiga chegar na pessoa que está se afogando, tente conversar com ela e acalmá-la. Peça ainda que se vire de costas para você e evite que ela o agarre. Essa situação é grave, pois o socorrista e a vítima podem acabar se afogando.
A remoção da deve ser feita pelas pernas ou braços, evitando haver a compreensão do abdômen. Fora d'água, à vítima deve ser colocada de lado, ter sua roupa removida e ser aquecida até que haja atendimento profissional. No caso da vítima não estar respirando, deve ser iniciada a aplicação dos primeiros socorros, como a respiração boca-a-boca e compressões torácicas e aguarde a chegada do socorro. (T.M).



