Artigos

O telegrafista que virou caminhante IV

antigamente era assimDiante da recusa formal de minha noiva de não mais dar sequência àquela brisa matutina de felicidade e sem dar nenhuma explicação plausível para tanto, com o coração a arfar descompassado no ofegante peito, pernas trêmulas, parti sem destino a percorrer as ensolaradas ruas de minha cidade.

 

O telegrafista que virou caminhante III

antigamente era assimE diante desses lampejos de uma atração física e irrestível em que a flecha do cupido parecia fisgar dois corações apaixonados, surgia aí a configuração do verbo amar.
 

O telegrafista que virou caminhante II

antigamente era assimComo frisei anteriormente, o andante Freitas, por sinal era uma criatura com uma bela feição, quando raspava a espessa barba e despontava os crespos cabelos e tomava um banho no riacho próximo à ponte da linha do trem.
No dia que mesmo adentrou ao escritório da estação de Monteiros para movimentar as teclas dos aparelhos de telégrafo, estava vestido decentemente.
Quando o caminhante Freitas pediu-me licença para adentrar ao escritório da estação e mexer no telégrafo fiquei meio confuso mas acabei concedendo permissão para fazê-lo. E como desabafei anteriormente: “Ó surpresa das surpresas”. Freitas, não  era simplesmente um peregrino qualquer, um João Ninguém a andar por este mundão afora, mas tão somente um ex-respeitável telegrafista da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, lotado na cidade de Barretos, estado de São Paulo.
E todos ficaram admirados com o seu desempenho. Com mãos firmes acionou a teclas do telégrafo da referida estação com incomum desenvoltura. Os sons enigmáticos e misteriosos da campainhas metálicas dos mostradores dos aparelhos não o impressionavam evidentemente. Expediu telegramas particulares e em serviço da companhia com uma lucidez impressionante.
Finalmente, o telégrafo chamou: Era um telegrama que procedia de Ribeirão Preto e se destinava a uma feliz nubente que acabava de contrair matrimônio: seu nome: Maria Cristina. O mesmo nome da pivô da dolorosa história que fê-lo sofrer uma terrível desilusão e tornar-se num caminheiro sem rumo e sem destino através de caminhos incertos, leitos ferroviários a tropeçar dormente e aguçadas pedras.
E o infeliz Freitas, antes de partir, a fim de cumprir sua triste sina por este mundo de ilusão, narrou-me com um profundo sentimento de emoção esta emocionante história: “Saiba que na minha Barretos floresceu um grande e apaixonado amor, que era a razão da minha vida. Seu nome era Maria Cristina. Conheci-a no interior de uma quermesse beneficiente da minha paróquia em prol das obras assistenciais de minha cidade.   
    
                                                                       Manoel Seixas 
 

O telegrafista que virou caminhante

antigamente era assimA estação de Monteiros era o local preferido do caminhante Freitas, a qual se situava no sopé de um outeiro, na região de Ribeirão Preto no ramal de Jatay, com seus desvios lenheiros e caixa de água para abastecer o pequeno vilarejo.
 

Sábado de aleluia no interior de uma estação.

antigamente era assimEu sou daquele tempo em que no sábado de aleluia antes das festividades da páscoa da ressurreição se malhava o Judas sem dó nem piedade.
 


Página 1 de 4
Banner
Banner