
Como frisei anteriormente, o andante Freitas, por sinal era uma criatura com uma bela feição, quando raspava a espessa barba e despontava os crespos cabelos e tomava um banho no riacho próximo à ponte da linha do trem.
No dia que mesmo adentrou ao escritório da estação de Monteiros para movimentar as teclas dos aparelhos de telégrafo, estava vestido decentemente.
Quando o caminhante Freitas pediu-me licença para adentrar ao escritório da estação e mexer no telégrafo fiquei meio confuso mas acabei concedendo permissão para fazê-lo. E como desabafei anteriormente: “Ó surpresa das surpresas”. Freitas, não era simplesmente um peregrino qualquer, um João Ninguém a andar por este mundão afora, mas tão somente um ex-respeitável telegrafista da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, lotado na cidade de Barretos, estado de São Paulo.
E todos ficaram admirados com o seu desempenho. Com mãos firmes acionou a teclas do telégrafo da referida estação com incomum desenvoltura. Os sons enigmáticos e misteriosos da campainhas metálicas dos mostradores dos aparelhos não o impressionavam evidentemente. Expediu telegramas particulares e em serviço da companhia com uma lucidez impressionante.
Finalmente, o telégrafo chamou: Era um telegrama que procedia de Ribeirão Preto e se destinava a uma feliz nubente que acabava de contrair matrimônio: seu nome: Maria Cristina. O mesmo nome da pivô da dolorosa história que fê-lo sofrer uma terrível desilusão e tornar-se num caminheiro sem rumo e sem destino através de caminhos incertos, leitos ferroviários a tropeçar dormente e aguçadas pedras.
E o infeliz Freitas, antes de partir, a fim de cumprir sua triste sina por este mundo de ilusão, narrou-me com um profundo sentimento de emoção esta emocionante história: “Saiba que na minha Barretos floresceu um grande e apaixonado amor, que era a razão da minha vida. Seu nome era Maria Cristina. Conheci-a no interior de uma quermesse beneficiente da minha paróquia em prol das obras assistenciais de minha cidade.
Manoel Seixas