Home Esportes Variedades Eterno Xodó: livro destaca vida do jogador gênio e polêmico

Eterno Xodó: livro destaca vida do jogador gênio e polêmico

capaO comentarista mais polêmico da mídia esportiva do Brasil e ídolo dos tempos românticos do futebol, José Ferreira Neto é o protagonista do livro-reportagem Eterno Xodó, dos jornalistas Renato Nalesso e Fabricio Bosio.
Na apresentação da obra, os autores resgatam a genialidade do jogador, considerado fora de série pela imprensa no início dos anos 1990; um ídolo de uma geração de craques, verdadeiros maestros da técnica, derrotados pelo pragmatismo da modernidade. Como jogador, Neto ficou conhecido por dois momentos distintos: a glória da conquista do primeiro título brasileiro do Corinthians e a cusparada no árbitro José Aparecido de Oliveira, durante um clássico entre alvinegros e alviverdes no estádio do Morumbi, em 1991. 
Depois de pendurar as chuteiras, Neto tornou-se um dos comentaristas esportivos mais polêmicos da atualidade. Nascido na pequena Santo Antônio de Posse, no interior paulista, José Ferreira Neto retratou com autenticidade a arte de um gênio da bola.  Com extremo bom humor e um certo tom provocativo, o livro é apresentado pelo jornalista Milton Neves, que relembra o primeiro contato que teve com Neto e ressalta que não enxerga ninguém do meio com tamanha sinceridade e firmeza de opinião. “Conheci pessoalmente o personagem desta obra no dia 17 de dezembro de 1990. Naquela ocasião, tratava-se do jogador de futebol mais badalado do País. Eu, um apresentador de rádio ainda em fase de consolidação, nunca acreditei que o Camisa 10 do Corinthians, que acabara de ser campeão brasileiro no dia anterior, cumpriria a promessa de comparecer ao evento do meu único anunciante do programa Terceiro Tempo, na ocasião na Jovem Pan. Pois ele foi, sem ganhar um tostão. A presença do ídolo literalmente parou a loja da rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo.  Foram quase três horas atendendo o público. Na maior paciência e humildade possível. Cenas que até hoje não saem da minha memória”, relatou. 
Ricamente ilustrado por fotos da história, o livro é pontuado por depoimentos de familiares, amigos, jogadores e desafetos como o árbitro José Aparecido de Oliveira; além de dar voz, é claro, ao homenageado.
“Dizem que sou polêmico, irreverente e bocudo. Estão certos. Não nasci com o rabo preso a ninguém. Sempre falei o que penso e vou continuar assim. Nunca quis ser exemplo pra ninguém, já fiz muita besteira por aí, mas sei também que acertei bastante. Tenho em casa minha mulher e meus filhos. E é só pra eles que devo alguma satisfação. Precisa ter coragem para ser comentarista esportivo e não tenho medo de fazer uma crítica a quem quer que seja. Amigo ou não. Passei minha vida toda atrás do sonho de ser jogador profissional e ter meu próprio dinheiro” e ainda completou ‘sou o Neto que acertou e errou. Que fez chorar e chorou. Que nunca escondeu o amor pelo Corinthians e mesmo assim tenta trabalhar de forma isenta e respeitosa’. 
Um trecho 
Confira agora um trecho do livro: com apenas 14 anos Netinho começava a ganhar maturidade. Aliás, deixava de ser o Netinho da Posse para se transformar no Neto do Guarani. Já morava sozinho em Campinas. Mas continuava o mesmo moleque rebelde e respondão de antes. Aquele período foi fundamental para que o rapaz criasse responsabilidade. Todos os dias era o primeiro a se levantar e se arrumar para os treinamentos. Dividia o alojamento com dezenas de meninos.  Entre eles, alguns que ganhariam destaque mais tarde no futebol, como o lateral Gil Baiano, o goleiro Zetti, o meia Vágner Mancini e o atacante Evair.
 
 

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