Antonio Pereira, 66, morador de Porto Velho, em Rondônia, é conhecido como o pagador de promessas e no início deste ano encerrou a sua caminhada a pé.Na segunda, 13, ele visitou Jaguariúna pela terceira vez e a Gazeta Regional foi o último jornal, na qual concedeu uma entrevista deixando a sua mensagem de fé. “Eu sai de casa no dia 15 de janeiro de 1991 para cumprir uma promessa, pois eu estava com câncer de garganta, cego e ainda fui atropelado por um trem, e os médicos chegaram a me desenganar dizendo que eu não tinha mais esperanças e ia morrer, então, como sou devoto e católico, fiz o pedido a Nossa Senhora Aparecida e em caso de cura andaria a pé por 20 anos levando a imagem da santa”, contou e ainda acrescentou que por onde passou sempre visitou igrejas católicas e veículos de comunicação. “Eu rezei para Nossa Senhora e fui atendido”, complementou e acabou recebendo alta do mesmo médico que havia informado que não tinha condições de viver.
Durante todo esse período ele sobreviveu de doações. “Eu andei 80 mil quilômetros em 20 anos, então, minha missão está cumprida e foi encerrada na cidade de Capivari”, frisou ele, que passou por 527 municípios, sofreu 23 assaltos, presenciou 835 acidentes e, além disso, usou 66 sapatos, 31 bonés e 24 bolsas, e visitou 1.202 jornais. “Passei fome, sede, frio e recebi muito não, mas consegui cumprir a minha promessa a Nossa Senhora e também contei com muitas doações”, reforçou o peregrino.
Para ele, o mais marcante e triste na sua caminhada foram os assaltos, em sua maioria praticados por jovens, que estavam em busca de dinheiro para comprar drogas. “Alguns assaltos foram violentos e eles chegaram roubar R$ 5, e ocorreram nos estados de Mato Grosso e Goiás, mas Nossa Senhora me protegeu e nunca me machuquei”, relatou e disse que é uma pessoa feliz. “Hoje em dia falta Deus no coração das pessoas e muita oração, pois quem tem fé não faz coisas ruins”, enalteceu. O peregrino ressaltou que não adianta apenas freqüentar uma igreja, mas para alcançar uma graça a fé é fundamental. “Não podemos desanimar, precisamos ter muita fé e rezar bastante, pois Nossa Senhora está sempre no nosso caminho”, disse. “Meus filhos foram criados no cabo da enxada, e hoje meu filho é advogado e minha filha professora, e agora vou reencontrar a família e voltar para Porto Velho quando voltarei a trabalhar na roça e na minha horta”, relatou e complementou quem estiver doente reze com muita fé, independente do lugar onde estiver.




